Mostrando postagens com marcador Lights Camera Fashion. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lights Camera Fashion. Mostrar todas as postagens

Figurino de Ballet



0 comentários


Assisti o filme Cisne Negro (2010) mais ou menos quando ele foi lançado. Na época, eu, que ainda nem estudava muito sobre moda, já achei o figurino um sonho!


Bom, pra começar: a trama é um thriller psicológico, que explora Nina (Natalie Portman) na criação das personagens Odile e Odette, do Lago dos Cisnes, para uma apresentação de ballet. Essa preparação parece exigir demais de Nina, já que as personagens são completamente opostas uma da outra. Pra piorar, seu diretor, sua rival na companhia de balé e sua mãe ficam pressionando-a, cada um de seu jeito. É pra deixar qualquer espectador numa agonia sem fim.

O interessante é que as roupas, ao longo do filme, contrapõem isso. Por se tratar de bailarinas, as roupas casuais são extremamente delicadas, em cores suaves. São muitas leggings, polainas, blusas levinhas, cardigãs, sapatilhas...



No espetáculo, porém, a antítese das personagens principais fica evidente pela roupa e pela maquiagem: para Odette, o cisne branco, Nina usa um vestido branco, encrustado em penas e pedras, e a maquiagem segue o mesmo esquema.



Já em Odila, o cisne negro, a mudança é notável. É fascinante como maquiagem e vestido se combinam para dar o tom pesado, denso e obscuro que é necessário e ao mesmo tempo obedece à leveza que um espetáculo de ballet necessita.



Para desenhar as peças principais, Laura e Kate Mulleavy, estilistas da Rodarte, foram convocadas por Amy Westcoot. Confira abaixo alguns dos croquis e um vídeo explicando como foi o processo de criação (não achei legendado, mas se você entender um pouquinho de inglês, dá pra acompanhar numa boa)!


Concluindo: o interessante foi que o figurino desse filme transpôs a barreira dos projetores e influenciou as passarelas! Grifes internacionais como Diane von Furstenberg e nacionais como a Maria Bonita Extra também entraram no mood do ballet, olha só!



A magia de Hugo Cabret



0 comentários
A Invenção de Hugo Cabret (2011) se passa na França, em plenos anos trinta. Mas engana-se quem pensa que o filme é recheado de glamour, peles, brilhos e afins, já que estamos falando do berço da moda. 


Hugo é um garoto pobre que vive entre os mecanismos de um relógio de uma estação de trem no coração de Paris. Sozinho após a morte do pai, que era relojoeiro, se vê obrigado a cometer pequenos roubos para se alimentar, mantendo a manutenção de sua ‘casa’ e tentando continuar o projeto deixado pelo pai: o de consertar um robô resgatado de um velho depósito.


Tudo tem um propósito até as máquinas. Os relógios dizem as horas, os trens levam a lugares... Por isso as máquinas quebradas me deixam triste, não servem aos seus propósitos. Talvez seja assim com as pessoas. Perder o nosso propósito é como estar quebrado... Imaginava que o mundo inteiro era uma grande máquina. As máquinas nunca vêm com peças sobressalentes, vêm sempre com a quantidade certa que precisam. Então entendi que se o mundo fosse uma grande máquina, eu não poderia ser uma peça sobressalente. Eu tinha que estar aqui por alguma razão...
A poesia do filme é refletida inteiramente nos figurinos dos personagens principais: do inspetor à florista, de Hugo a seu pai, os figurinos refletem o melhor da época e do lugar em que se encontram: uma Paris no contexto da regência e do romantismo, e no início da era vitoriana, que é extremamente marcante para a história da moda.




São muitos ternos neodandianos, com chapéus-coco, ternos e vestidos bem cortados, tailleurs, e boinas, como não poderia faltar num figurino francês, contrapondo a simplicidade (não descontextualizada) com que Hugo e sua amiga Isabelle, enquanto os dois tentam descobrir os mistérios que envolvem o tal robô e o tio de Isabelle, Claude.



É interessante também, porque o filme trata sobre o início do cinema. Então a coisa ferve mesmo é quando a duplinha dinâmica encontra o estúdio. Não vou falar muito sobre essa parte porque não quero dar spoiller (é claro que eu quero que todos vocês assistam!), mas sabe quando você vem abaixo com um certo quesito de um filme? ESSA é a parte!



São cenários incrivelmente lindos, e figurinos que evocam toda a magia existente, a mesma magia que faz a gente sentar numa poltrona de cinema e devorar um filme com os olhos! Confesso que eu fiquei até meio emocionada em ver como o figurino foi levado super a sério, especialmente nesse trecho, no sentido de fazer a gente acreditar que tudo é possível.
Não é a toa que o filme foi indicado ao Oscar (entre outros) de melhor figurino, tendo perdido para a produção francesa muda O Artista (2011). Pontos para a figurinista Sandy Powell que conseguiu deixar muita gente por aí de boquiaberta!

Você sabe como é elaborado um figurino?



0 comentários

E aí, sabe? Pois é, o resultado que a gente vê nas telonas dá muito mais trabalho do que se imagina! Quer ver?


Bom, primeiramente, os diretores de arte e figurinistas se reúnem com diretores e roteiristas, para traçar um perfil de cada um dos personagens, onde ele vive, a época, o clima, etc. Esses são fatores determinantes de todo o figurino. Filmes como Maria Antonieta (2005), por exemplo, requerem o dobro de atenção, e são caracterizados por seu grande trabalho de pesquisa (por isso, talvez, filmes de época tenham certa predileção em premiações).


Depois, os figurinistas vão às compras: garimpam peças em lojas, brechós, e até mesmo mandam fazer.


Em seguida, vem a parte mais desgastante: as provas. Os atores devem experimentar os figurinos um por um, várias vezes, para que ajustes possam ser feitos, verificar o caimento da roupa, as combinações possíveis, se a roupa é adequada para a ação ocorrida na cena, etc.


Então, vem o trabalho de desgaste, para que a roupa não pareça recém-saída da loja (são usadas lixas, lavagem industrial, descolorantes...)

E existe ainda o trabalho de continuidade: uma cena de ação, por exemplo, requer várias mudas da mesma roupa, e se ela é rasgada, ou manchada de sangue, ou suja, a próxima muda usada deve ter as mesmas marcas nos mesmos lugares, o que requer uma atenção redobrada.


É interessante pensar no quão fundamental um figurino é para a ambientação e adequação de um filme. Ele é parte fundamental do contexto da história e em muitos casos, auxilia o próprio ator a entrar no personagem e criar seu jeito de falar, andar, se movimentar em cena, etc.


Enfim, o figurino constitui, juntamente com o cenário e os efeitos, a sua experiência visual de cada filme!

Os figurinos incríveis de Alice



0 comentários

Eu sou suspeitíssima pra falar, porque eu amo as parcerias entre o diretor Tim Burton e a figurinista Colleen Atwood, já que ela consegue captar de forma magistral as ideias do Tim.
Particularmente falando de Alice (2010), a história em si já se propõe interessante, por tratar de imaginação (e, de certa forma, psicose), e essa não tem limites, mesmo! Em todos os momentos do filme, as roupas fazem a gente acreditar que qualquer coisa é possível.

O glamour de Hollywood nos anos 30



0 comentários

A crise de 1929 refletiu muito na maneira de se vestir das mulheres dos anos trinta. Se na década anterior a euforia pelo fim da Primeira Guerra refletia em babados&bordados com formas retas, mostrados frequentemente na dança, a recessão dos anos trinta deu um novo significado à elegância. Os tecidos, cada vez mais caros, foram sendo substituídos por sintéticos, e as formas haviam mudado, já que durante a guerra, a mulher teve que se inserir no mercado de trabalho, pegando empregos e peças de roupa que antes eram essencialmente masculinas.



Diferentemente da época anterior, foi o cinema o maior difusor dessa nova moda dominante. Estrelas se vestiam com tecidos bem menos nobres, com cortes mais retos e masculinos, mas nem por isso menos elegantes. A simplificação proposta por Chanel e os aperfeiçoamentos de ajustes engenhosos de Vionnet (pensem em vestidos-sereia e peças que valorizavam o corpo feminino, gastando menos pano) ganharam os dois lados do atlântico nas costas de grandes atrizes, como Greta Garbo e Katherine Hepburn. É legal notar que os vestidos eram feitos em cores que não ficariam ‘apagadas’ no preto e branco, valorizando a forma.


Cada vez mais, revistas como a Photoplay, por exemplo, iam fundo nos guarda-roupas de astros e estrelas, ditando o que iria ser usado, e tiveram papel fundamental na democratização de peças que antes eram adornos da nobreza, escoando a produção, o que era necessário para a reestabilização da economia nos EUA. Inclusive, modelos elaborados para filmes passaram a ser produzidos em massa e vendidos, tamanho o apreço das mulheres pelo glamour de Hollywod.

"Nós, os costureiros, não podemos mais viver sem o cinema, assim como o cinema não pode viver sem nós. Confirmamos o instinto um do outro. - Lucien Lelong


Culminou a moda no cinema dos anos trinta o filme ...E o vento levou (1939), com o icônico vestido de cortina verde, símbolo máximo do reaproveitamento que era pregado na época, glamurizando o que antes era sinônimo de pobreza.




Outros filmes que não podem ficar de fora da lista dos figurinos incríveis são O Mágico de Oz (1939), Branca de Neve e os Sete Anões (1937) e Aconteceu Naquela Noite (1934).
Mais do que um período de recessão, os anos trinta refletiram uma mudança na sociedade, já desenhando os contornos da relação entre a moda e o cinema que se estenderia até a forma como a conhecemos hoje.


Audrey e Givenchy: uma parceria de sucesso



0 comentários



Audrey Hepburn foi uma atriz que ficou conhecida em todo o mundo por seu talento e carisma em papéis memoráveis. Mas se tem uma coisa que eu admiro nela, é o estilo. Poucas mulheres têm a classe, o bom gosto e o porte que ela tinha.
Claro, isso acabou rendendo algumas parcerias de peso. A mais relevante delas, com o Givenchy. O estilista, que havia trabalhado na Dior, abriu, pouco antes da ‘associação’ com Audrey sua própria Maison em Paris, obtendo reconhecimento nacional. Mas o internacional veio com o sucesso dos filmes protagonizados pela estrela em ascensão.
Os dois não se poupavam elogios: ela dizia se sentir segura nas roupas dele, ele a tinha como musa inspiradora e amiga pessoal. O resultado: alguns dos vestidos mais icônicos do cinema:

O vermelho de Cinderela em Paris (1957);


O pretinho nada básico de Bonequinha de Luxo (1961);




O branco bordado de Sabrina (1954). Esse filme foi tão expressivo para o mundo da moda que hoje em dia, saltos baixinhos, de menos de cinco centímetros, são chamados de saltos Sabrina, como os usados por Audrey no filme;




E pra quem não sabe, ele a produzia também para os red carpets, premiéres e eventos que ela participava!
Numa época em que Marylin Monroe e suas curvas faziam sucesso, Audrey se destacava por sua elegância e sofisticação.
Confesso que eu sinto um pouco de falta de parcerias assim – não que hoje não tenhamos excelentes figurinistas – mas olhar pra esses vestidos me dá aquela nostalgia inexplicável, sabe? Áureos tempos, refinamento saindo pelos poros... Fico eu aqui com o meu saudosismo de uma coisa que eu nem vivi!

Até semana que vem!

Os looks alta costura de O Turista



2 comentários

Primeiro, gostaria de me apresentar: meu nome é Ana Luísa, e curso Jornalismo na UFV. Sou completamente apaixonada por moda, e vou compartilhar aqui com vocês os meus pitacos sobre o assunto nas telonas.
A “Ligths, Camera... Fashion!” vai ao ar quinzenalmente, às quartas-feiras. Nela, vou tratar da relação entre o figurino e a produção cinematográfica, bem como sua importância, discutindo tendências e roupas que aparecem no cinema e agradam aos olhos. Confira o post de estreia:

Um dos filmes de que - em termos de figurino – eu mais gostei nos últimos tempos, foi o longa O Turista. Nele, Angelina Jolie (Elise) vive a companheira de Alexander Pierce, um ladrão procurado pela Interpol em vários países, que está fugindo e só se comunica com ela através de cartas. Em meio a suas viagens, Elise acaba conhecendo Frank Tupelo (Johnny Depp), um atrapalhado professor de matemática. Confesso que fui assistir porque eu tenho um precipício uma quedinha pelo senhor Depp, e apesar de meio decepcionada com a história, acabei me surpreendendo com esse outro aspecto do filme.
Ao longo da trama, a personagem de Jolie vai recebendo ordens de Pierce para despistar a polícia, sendo bancada por ele em hotéis cinco estrelas e bailes chiquérrimos, primeiramente em Paris, e depois em Veneza. E, como não podia ser pra menos, ela só aparece usando alta costura! Vou ali tomar um cafezinho usando Dior, beijos! Não consegui desgrudar os olhos da tela por um segundo, porque cada look que aparece é mais lindo que o anterior. Olha esse vestido preto que ela usou no baile, que luxo!


Até para os looks casuais, ela estava sempre impecável. *Olhar de famme fatale*


O que dizer então da maquiagem e dos cabelos? Aliados aos brincos e colares de brilhantes, eles davam um ar aristocrata mesmo, sabe? Aquele esquema “nasci pra humilhar”. 


E não tem como deixar de falar do Johnny! Seu personagem tinha um estilo casual arrumadinho, mas olha só quando ele resolve colocar um terno! Caimento e corte perfeitos!


Só tenho a dizer que Colleen Atwood, responsável pelo figurino do filme, conseguiu encantar!
Espero que tenham gostado! Até a próxima!

Créditos das imagens: Just Jared.



older post